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Magusto à moda antiga regressa ao centro de Braga com castanhas, música e tradição

A iniciativa promovida pela Rusga de São Vicente celebra o outono à moda do Minho a 16 de novembro.

Outono em Braga é sinónimo de castanhas assadas, vinho novo e convívio na rua. O magusto, uma das tradições mais antigas do norte de Portugal, é o símbolo dessa celebração simples e comunitária que resiste ao tempo. A origem da festa remonta à época medieval, quando as comunidades rurais assinalavam o Dia de São Martinho, a 11 de novembro, com fogueiras, castanhas e copos de jeropiga. Era o momento de agradecer as colheitas e festejar o fim das lides do campo, num ritual que unia vizinhos e famílias à volta do lume.

Em Braga, o magusto ganhou um carácter especial: mistura o sagrado e o popular, o urbano e o rural, preservando a alma minhota. Todos os anos, à medida que as folhas douradas cobrem as ruas do centro histórico, a cidade enche-se de risos, fumo e música tradicional, num encontro intergeracional que mantém viva a memória coletiva.

Este ano, a tradição volta a cumprir-se. O magusto à moda antiga regressa ao coração da cidade no sábado, 16 de novembro, numa iniciativa promovida pela Rusga de São Vicente de Braga – Grupo Etnográfico do Baixo Minho, uma das associações culturais mais antigas e emblemáticas da região.

Mais do que uma simples celebração, o evento é uma autêntica recriação das antigas festas populares, com castanhas assadas, vinho, folclore e animação. A atividade principal, intitulada “A Rusga desce ao Terreiro”, tem início marcado para as 15h00, no terreiro contíguo à Torre de Menagem, um dos locais mais simbólicos do centro bracarense.

A Rusga de São Vicente é conhecida pelo trabalho de preservação e divulgação das tradições do Baixo Minho, desde a música e dança popular ao traje e gastronomia. Com o magusto, o grupo recupera a atmosfera das antigas festas de aldeia, transportando-a para o centro urbano.

Os participantes são convidados a saborear castanhas acabadas de assar, acompanhadas de um copo de jeropiga ou vinho novo, ao som das concertinas e dos cantares populares. O evento recria o espírito comunitário de outros tempos — um encontro de vizinhos à volta do lume, com histórias, gargalhadas e passos de dança.

Além do magusto, o dia contará também com a quarta edição do Registo Fotográfico – A Rusga desce ao Terreiro, uma iniciativa que desafia fotógrafos e curiosos a captar os melhores momentos do evento, das expressões populares aos pormenores das danças e trajes típicos.

O magusto da Rusga é hoje um dos pontos altos do calendário cultural bracarense nesta altura do ano. Junta centenas de pessoas — entre locais e visitantes — que encontram neste ritual uma forma de celebrar o outono, reforçar laços e honrar o património imaterial da cidade. O evento é gratuito e aberto a toda a comunidade, num convite à partilha e à alegria.

Com o crepitar das fogueiras, o cheiro a castanha e o som das concertinas, o centro de Braga transforma-se, por um dia, num terreiro minhoto à moda antiga — um espaço de encontro onde a tradição se renova a cada geração.

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